30/08/2015

O Centro Norton de Matos

Como todas as associações ou colectividades, certamente, o Centro Norton de Matos, nasceu, num processo iniciado em 1950, da mente e da vontade indómita de um grupo de empenhados cidadãos, motivados pelo Bem Comum, pelo serviço à comunidade, nomeadamente à comunidade envolvente, o então nascente Bairro Marechal Carmona. No início era, pois, Centro de Recreio Popular do Bairro Marechal Carmona. Com o advento do 25 de Abril de 1974, mudanças na toponímia levaram a que, durante cerca de 25 anos, a instituição se chamasse Centro de Recreio Popular do Bairro Norton de Matos.

Hoje é “apenas” Centro Norton de Matos, mas a simplificação do nome é inversamente proporcional a um aumento brutal das nossas actividades e responsabilidades. Cultura, Desporto, Entretenimento e Acção Social continuam, no entanto, a ser os pilares que norteiam a vasta actividade do Centro, a que se somam também preocupações de carácter eminentemente social. Tal como no início. A dimensão é que é hoje outra…

Fundado pelo chamado “Núcleo dos 15”, grupo de cidadãos em que pontuava o primeiro presidente da colectividade, José Maria Gaspar, em 10 de Agosto de 1951, data em que foram aprovados os primeiros estatutos, por alvará emitido pela Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), o Centro começou por ser fundamentalmente um clube recreativo, onde os associados se reuniam em torno de jogos de salão.

Mas desde os alvores da associação que esteve sempre presente o cumprimento de um serviço pleno, com prioridades de âmbito social patentes, por exemplo, na criação, em Dezembro de 1954, de um Posto Médico na sede, mediante contrato com o médico Dr. Jacinto Lalanda Ribeiro, director clínico. À frente do posto médico sucederam-lhe a Dra. Maria José Sampaio e, entre 1972 e 1981, o Dr. José Paulino Pereira da Rocha. A partir de 1981, esta vertente de apoio clínico à população do Bairro, foi assumida pelo Serviço Nacional de Saúde, até à construção do novo Centro de Saúde do Bairro Norton de Matos, no Vale das Flores.

A actividade do Centro, porém, foi sempre extremamente diversificada, principalmente a partir da inauguração das actuais instalações, a Outubro de 1966, tendo sempre em conta as solicitações ou necessidades dos seus associados ou da própria comunidade envolvente. O desporto, a cultura e o lazer têm pautado a existência da instituição. Para além do basquetebol, uma das primeiras modalidades desenvolvidas, o CNM tem actuado nos mais diversos níveis. Em termos Recreativos realce para o Bilhar, Damas, Xadrez, Dominó e Cartas; no âmbito Cultural destacamos duas grandes áreas:

Escola de Dança – Ballet e Dança Jazz; Danças de Salão; Dança Espanhola e Salsa; Expressão Corporal.

Escola de Música – Piano e Órgão; Guitarra Clássica; Flauta de Bisel.

A nível Desportivo foram surgindo modalidades como Karaté, Judo, Pesca Desportiva, Voleibol, Natação, Ginástica, Futebol, Canoagem ou Ténis de Mesa.

Alicerçado, como vimos, em 53 anos de brilhante história e vasto palmarés, e impulsionado nos últimos anos por uma Direcção jovem e ambiciosa, o CNM tem revelado uma dinâmica imparável e a todos os títulos notável, completamente em contra-corrente à propalada “crise do associativismo”. Bem mais que sacudir a crise, o CNM tem crescido e tem-se mantido na crista da onda da modernidade honrando os seus pergaminhos como Instituição de Utilidade Pública, prestando inestimáveis serviços à comunidade, e nunca perdendo de vista o abnegado espírito de filantropia que sempre animou os seus corpos sociais, mas apostando numa rota de profissionalismo, contando já com um quadro de 40 funcionários ou colaboradores remunerados.

Esta postura pró-activa e de rigor merecem-na sem dúvida os cerca de 2500 sócios, mas também os cerca de 1600 praticantes/utentes, principalmente crianças e jovens, que hoje se distribuem pelas 12 modalidades/actividades desenvolvidas no CNM, e que têm amiúde levado bem longe o nome e o prestígio de Coimbra, mormente em competições desportivas nacionais em que participamos ou recebemos. Ballet, Playgym, Judo, Dança Jazz, Ginástica de Formação e Acrobática, Karaté, Música, Ginástica de Manutenção e Aeróbica, Escolas de Futebol, são algumas das acções que presentemente desenvolvemos.

Um orçamento anual a rondar os 442 mil euros revela ainda a dimensão que atingiu esta instituição, certamente uma das mais activas e polifacetadas de Coimbra, com uma séria actuação no domínio do Social, sendo expoente disso o ocupadíssimo ATL para crianças. O CNM é, desta forma, uma instituição com pergaminhos, com passado, mas sobretudo com futuro e com vontade de Fazer.

O inconformismo e a dinâmica da actual direcção estão bem patentes, por exemplo, nas recentes apostas nos âmbitos cultural ou das novas tecnologias de informação, seja na criação da “Sala Vasco da Gama”, um espaço-net onde providenciamos acesso público à Internet e a outros recursos informáticos, seja na parceria recentemente assumida com a Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação que resultou na inauguração, nas nossas instalações, de um Centro de Divulgação das Tecnologias de Informação, seja ainda no capítulo cultural, ao associarmo-nos à Câmara Municipal de Coimbra e ao evento Coimbra Capital Nacional da Cultura, contribuindo com o que promete ser uma das iniciativas mais marcantes na cidade em 2003, os Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra (que baptizámos de “Jazz ao Centro”), que se está a traduzir em, pelo menos, 12 concertos, um por mês, de alguns dos mais importantes músicos de Jazz da actualidade internacional.

O CNM é tudo isto e muito mais. E pretende crescer para ser mais ainda, tendo sempre em mente os seus princípios fundadores de serviço comunitário em moldes associativos, mas sempre com a preocupação de acompanhar a passada dos dias, nomeadamente procurando parcerias com outras instituições de Coimbra e da região que revelem o mesmo dinamismo, a mesma procura de Modernidade e de serviço à Colectividade.